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29/SET/10 - Mumbuca é atrativo turístico no Jalapão

Artezã (Dona Santinha) Maria Pereira Santos no Mumbuca

Artezã (Dona Santinha) Maria Pereira Santos no Mumbuca

Olga Cavalcante

“Violinha de vereda, viola de buriti
Quando eu toco essa viola seu menino
É como lembrar de ti…”

A excentricidade do roteiro turístico “Encantos do Jalapão”, com suas belezas diferenciadas e exclusivas, tem no povoado quilombola de Mumbuca, a 35 km de Mateiros, leste do estado, um acervo cultural de intenso culto às tradições sertanejas e à simplicidade dos hábitos ainda preservados na comunidade.

O ecoturista vem ao Tocantins para ver cachoeiras, subir serras, contemplar pássaros, praticar esportes radicais como o rafting e andar em trilhas do cerrado. No Jalapão encontra tudo isto e muito mais se acrescentar Mumbuca em sua viagem: a oportunidade de sentar-se á beira de uma fogueira, à noite, em roda de causos e lendas, com personagens que contam suas aventuras de vida em linguagem que mistura termos indígenas e caboclos, às vezes romanceados, outras vezes intraduzíveis.

A beleza de ouvir a dupla nativa de Mumbuca, Maurício e Arnon, tocando em violas de buriti, sem a sofisticação musical da tecnologia moderna, é um dos momentos especiais que o turista vive no roteiro. E ser recepcionado pela afinação do coral de mulheres que cantam as maravilhas do capim, adoça o coração.

O cheiro da galinha caipira recende e chama o paladar do visitante para o “Restaurante da Vila”, onde a Nem cozinha em fogão à lenha central. Ou para a panela de ferro da Tonha, que tem o feijão com maxixe mais saboroso das redondezas.

As 45 famílias e os 142 moradores têm como fonte de renda principal o artesanato em capim dourado, cientificamente identificado como Syngonanthus nitens, mas não deixam de lado as plantações de banana, abóbora e mandioca, culturas extrativistas caseiras, cultivadas apenas para o consumo. O forte mesmo é a venda das peças artesanais na lojinha da Associação Comunitária, procuradas pelos turistas como objetos exóticos. O capim dourado é trabalhado pelos dedos suaves das artesãs jalapoeiras, que costuram as hastes com fibra ou seda do olho do buriti. Para manter a receita durante o ano, homens, mulheres e crianças colhem a sempre-viva nos campos reservados e manejados, respeitando o período de 20 de setembro a 30 de novembro.

Noêmia Ribeiro da Silva, a “Doutora”, é uma destas artesãs cativantes de Mumbuca. Já na quarta geração, filha de dona Miúda a matriarca do povoado, é descendente de seu Firmino, que aprendeu com os índios Xerentes a arte de trançar o artesanato. Usando vocabulário regional e com criatividade de frases próprias, responde ao questionamento sobre os casamentos consangüíneos na comunidade: “Nunca teve problema. Menino nasce sadio igual veado na campina”.

No Brejo do Gavião, um dos pontos de colheita, a paisagem é característica do cerrado do Jalapão onde campos de vegetação rasteira estão ao lado de mata ciliar de buritis e árvores. Em sua profundidade muita água enxarcando o terreno, habitat natural para o crescimento do capim dourado. Cantando enquanto arranca fios de capim, a doutora ensina os jovens a preservar a sustentabilidade do capim dourado: “deve-se arrancar os raminhos nas veredas e sacudir as sementes para que nasça outro pé”.

Fonte: ADTUR



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