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13/OUT/10 - No norte do Paran√°, turistas vivenciam o passado e o presente da cafeicultura

Est√Ęncia Ecol√≥gica Guaicurus

Est√Ęncia Ecol√≥gica Guaicurus

A Rota do Caf√©, alia hist√≥ria, cultura, educa√ß√£o ambiental, gastronomia, t√©cnicas de produ√ß√£o, classifica√ß√£o, comercializa√ß√£o e degusta√ß√£o do caf√©. Contato direto com a natureza; vis√£o ampliada sobre a vida no campo; conhecimento sobre a complexidade do processo de produ√ß√£o, beneficiamento e comercializa√ß√£o do caf√©; compreens√£o sobre a influ√™ncia da cafeicultura na organiza√ß√£o pol√≠tica, econ√īmica e social do Paran√°; variedade de atrativos, intera√ß√£o com empreendedores; acolhida calorosa; e a degusta√ß√£o de caf√©s de qualidade e de uma culin√°ria t√≠pica. Esses s√£o alguns motivos que justificam conhecer a Rota do Caf√©, projeto tur√≠stico que envolve mais de 30 atrativos, localizados em 18 munic√≠pios da regi√£o norte do Paran√°.

Integram a Rota do Caf√© fazendas produtivas, propriedades hist√≥ricas, est√Ęncias ecol√≥gicas, cafeterias, corretora de caf√©, restaurantes, vin√≠colas, casas de artesanato, pousadas, museus, teatro, agroind√ļstrias familiares, cacha√ßaria, torrefadoras, entre outros.

O grande n√ļmero de atrativos reunidos na Rota do Caf√© possibilita desenhar diferentes roteiros para atender a p√ļblicos variados. Diretamente, a Rota do Caf√© beneficia mais de 200 pessoas, entre empres√°rios, produtores rurais e familiares, artes√Ķes, dan√ßarinos e produtores culturais.

Grande parte dos empreendedores envolvidos enxerga no turismo uma possibilidade de adicionar mais renda aos seus negócios. Outra importante contribuição da iniciativa é permitir que o turista desfaça alguns mitos sobre a realidade do campo.

A Rota do Caf√© resulta do Projeto Turismo Norte Paranaense, iniciado em 2007 pelo Sebrae/PR, e atende aos objetivos do macroprograma de regionaliza√ß√£o do turismo, uma proposta do Minist√©rio do Turismo. O consultor do Sebrae/PR em Londrina e gestor do Projeto, S√©rgio Garcia Oz√≥rio, destaca que a proposta da entidade √© ‚Äúestimular o aumento do fluxo de turistas na regi√£o norte do Estado, promover a melhoria da competitividade e da sustentabilidade dos empreendimentos, contribuir para o desenvolvimento regional e incentivar o empreendedorismo‚ÄĚ, afirma.

A Rota do Café foi lançada em Londrina, no mês de novembro de 2009, após intenso trabalho de diagnóstico das potencialidades da região, mapeamento, visitação, sensibilização dos empreendedores e parceiros, definição de produtos turísticos, realização de roteiro experimental, qualificação dos serviços turísticos e precificação.

O consultor S√©rgio Oz√≥rio explica que ap√≥s todo o trabalho j√° realizado de assessoria aos empreendimentos, consultorias, treinamentos, articula√ß√£o de parcerias, as pr√≥ximas a√ß√Ķes do Projeto est√£o focadas em quest√Ķes mercadol√≥gicas e de gest√£o empresarial.

‚ÄúNo momento, estamos trabalhando o processo de sinaliza√ß√£o dos atrativos da Rota do Caf√© e nossa proposta √© estimular ainda mais a capacita√ß√£o, a gest√£o profissional, a promo√ß√£o e a comercializa√ß√£o dos roteiros que podem ter dura√ß√£o de um dia ou uma semana‚ÄĚ, detalha o consultor.

√Č poss√≠vel fazer os passeios voluntariamente ou adquirir um pacote de viagem comercializado pelas seguintes ag√™ncias de viagens sediadas em Londrina: Bella Vista Turismo, Companhia de Viagens, Redon do Brasil, Terra Nova Turismo e TNT Agricultural Tours.

Os visitantes que desejarem conhecer as propriedades credenciadas à Rota do Café por conta própria devem agendar os passeios com antecedência. Em média, o valor para se passar um período de três a quatro horas nessas fazendas é de R$ 15,00 por pessoa. Em alguns casos, é possível saborear um café colonial e passear a cavalo.

Destaques

O norte do Paraná foi formado por indígenas, negros, caboclos, colonos, fazendeiros, comerciantes e outros, porém foi a produção cafeeira que acelerou a colonização da região. Por volta dos anos de 1900, companhias colonizadoras passaram a atuar na região com a venda de pequenas e médias propriedades, atraindo pessoas de outros estados e imigrantes de mais de 30 etnias. Por volta da década de 1970, fatores climáticos contribuíram para a substituição do café por lavouras temporárias. Iniciou-se então a mecanização da agricultura, o êxodo rural e o crescimento urbano.

Em Londrina, o Museu Hist√≥rico Padre Carlos Weiss oferece acervo com cole√ß√Ķes variadas de objetos e materiais representativos do cotidiano dos cidad√£os londrinenses e da regi√£o, desde os primeiros colonizadores. Al√©m disso, est√£o dispon√≠veis documentos textuais, mapas, plantas, microfilmes, depoimentos e arquivos de imagem de Jos√© Juliani, fot√≥grafo oficial da Companhia de Terras Norte do Paran√° e de George Craig Smith, que chegou a Londrina em 1929 e era integrante da Primeira Caravana. H√° tamb√©m a cole√ß√£o de filmes 16 mm do pioneiro Hikoma Udihara que documentou Londrina nas d√©cadas 1940, 1950 e 1960.

Pousada Marabu

Pousada Marabu

Musical Coração do Café:

O musical Coração do Café foi elaborado a partir das raízes históricas e culturais do café na região norte do Paraná. O espetáculo é uma produção da Secretaria de Cultura e Turismo de Ibiporã e da Fundação Cultural de Ibiporã que envolve o trabalho de professores, atores e alunos da própria Fundação. O musical conta o romance de um jovem casal de imigrantes italianos que decide recomeçar a vida no Brasil.

A produ√ß√£o envolve 30 artistas, entre atores e dan√ßarinos, e uma equipe t√©cnica que re√ļne 15 profissionais. O espet√°culo, que √© contado, dan√ßado e encenado, foi escrito e √© dirigido por Paz Adunate. A produ√ß√£o art√≠stica, cenografia e o figurino s√£o cria√ß√Ķes de J√ļlio Dutra. O musical √© exibido periodicamente no Teatro Padre Jos√© Zanelli em Ibipor√£. Informa√ß√Ķes sobre as datas de exibi√ß√£o do Musical Cora√ß√£o de Caf√© podem ser obtidas pelo telefone da Secretaria de Cultura de Ibipor√£: (43) 3178-0215.

‚ÄúO turismo para a comunidade de Ibipor√£ √© algo novo ainda, mas a Funda√ß√£o Cultural vem se esfor√ßando para motivar a popula√ß√£o e estimular que ela divulgue e contribua com essa ideia‚ÄĚ, assinala J√ļlio Dutra, diretor-presidente da Funda√ß√£o Cultural de Ibipor√£.

Vinícola Casa Mueller:

A Vin√≠cola Casa Mueller localiza-se no distrito da Warta, em Londrina. No s√≠tio com √°rea de cinco alqueires, os turistas s√£o recepcionados pelo casal, Eloy e Cleide Mueller, donos da propriedade, que mostram as t√©cnicas de cultivo das planta√ß√Ķes de frutas, como uva, framboesa, maracuj√°, ameixa e morango e explicam como s√£o produzidos os vinhos e licores fabricados no local.

O terreno que hoje abriga esp√©cies frut√≠feras, no passado foi ocupado pela monocultura do caf√©. Essa reminisc√™ncia contribui para o aroma e sabor √ļnico dos vinhos produzidos na propriedade que possuem terroir de caf√©. Terroir (terroar) √© uma palavra francesa sem tradu√ß√£o em nenhum outro idioma. Significa a rela√ß√£o entre o solo e um microclima particular, gerador do tipo de uva que expressa qualidade, tipicidade e identidade √ļnica de determinado vinho.

Os vinhos são fabricados a partir de uvas cabernet souvignon, rubia, izabel, niágara, moscatel e ibéria. A variedade de uva concord, cultivada na propriedade, é utilizada para a fabricação de sucos. Anualmente, a Vinícola Casa Mueller produz oito mil garrafas de vinho e também licores artesanais. O valor de cada garrafa varia entre R$ 15,00 e R$ 25,00.

Além da possibilidade de conhecer o plantio e processo de fabricação dos vinhos, os visitantes têm a opção de participar de um curso para aprender a degustar ou fabricar a bebida, reunir amigos para uma roda de viola e apreciar o cartaxo, prato típico do sítio. Trata-se de um cozido de carne, preparado com frutas cultivadas na propriedade.

Para as escolas, o atrativo é a educação ambiental e a colheita manual do morango produzido sem uso de agrotóxicos. A propriedade abriga árvores exóticas e uma reserva ambiental com cerca de 7.500 espécies que pode ser explorada por estudantes de biologia e geografia, praticantes de meditação e demais interessados.

A. Rural Corretora

A A. Rural é uma empresa especializada em corretagem de café e composição de ligas que acumula mais de 20 anos de experiência no mercado. Carlos Amaral, proprietário do atrativo, esclarece aos visitantes da Rota do Café que a determinação da qualidade do café brasileiro compreende duas fases distintas: a classificação por tipos ou defeitos e a classificação pelo tipo de bebida.

São considerados defeitos os grãos imperfeitos do tipo: grãos pretos, ardidos, verdes, chochos, mal granados, quebrados e brocados. As impurezas são cascas, paus, pedras, cafés em coco ou marinheiros encontrados na amostra. Cada grão imperfeito ou impureza corresponde a uma medida de equivalência de defeitos, que rege a classificação por tipo.

Para proceder a classificação, amostras de 300 gramas de café são recolhidas e acondicionadas em latas apropriadas. Processo que o turista pode acompanhar de perto, durante a visita. A seguir, em uma mesa provida de boa iluminação, a amostra é espalhada sobre uma folha de cartolina preta. Os defeitos são separados e contados segundo a Tabela de Equivalência de Grãos Imperfeitos e Impurezas.

A base para se estabelecer a equivalência dos defeitos é o grão preto, que é considerado o padrão dos defeitos ou defeito capital. Para conhecer sua qualidade, realiza-se a prova da xícara, na qual o provador avalia as características de gosto e aroma do café. A classificação da bebida tem dois objetivos fundamentais: conhecer a qualidade do café a ser comercializado e definir as ligas ou blends que valorizem determinados lotes de café.

Pousada Marabu:

A Pousada Marabu fica no munic√≠pio de Rol√Ęndia e √© permeada pela cultura su√≠√ßa. O empreendimento oferece chal√©s r√ļsticos para hospedagem, pomar, mata nativa, trilhas e alimenta√ß√£o natural e vegetariana. No local, s√£o fabricados e vendidos oito tipos de geleias artesanais.

Engenho Terra Vermelha:

O Engenho Terra Vermelha √© um ponto de apoio da Rota do Caf√© localizado em Assa√≠. O empreendimento √© certificado pelo Instituto Biodin√Ęmico (IBD) e produz diariamente cerca de mil litros de cacha√ßa artesanal. Nesse atrativo, os turistas podem acompanhar todo o processo e as curiosidades do processo de produ√ß√£o do destilado.

Fazenda Palmeira:

Em Santa Mariana, os turistas conhecem um pouco do jeito suíço de produzir café. A proprietária da Fazenda Palmeira, Cornélia Margot Gamerschlag, conta a história da propriedade e destaca aos visitantes os desafios da cafeicultura. No meio do cafezal, Cornélia, que também é pedagoga, dá uma aula prática sobre a colheita do café, explicando sobre as floradas e os estágios de maturação dos grãos. Familiares, funcionárias e mulheres da comunidade ao redor da Fazenda Palmeira estão desenvolvendo artesanato em fibra de bananeira. As peças são vendidas na própria propriedade.

Est√Ęncia Ecol√≥gica Guaicurus

A Est√Ęncia Ecol√≥gica Guaicurus, tamb√©m localizada no munic√≠pio de Santa Mariana, disponibiliza aos visitantes diversas atividades, al√©m de hospedagem e alimenta√ß√£o. Nessa propriedade localiza-se o maior labirinto de caf√© do mundo, que ocupa a √°rea de um alqueire e √© composto por 12 mil p√©s de caf√©. A Est√Ęncia tamb√©m disponibiliza aulas de cavalgada, passeios em barco e em charrete, piscinas e trilhas por mata nativa. Jacar√©s, macacos e uma infinidade de esp√©cies de p√°ssaros complementam os atrativos da propriedade.

Sítio Ecológico Scandolo:

Empreendimento com área aproximada de 14 hectares, localizado na cidade de Cambará, especializado em educação ambiental e lazer. No local, os visitantes são acolhidos por João Scandolo, que apresenta a propriedade e convida cada visitante a plantar uma árvore. Scandolo reflorestou toda a área devastada do sítio. Ele planta uma árvore todos dos dias e desafia os turistas a plantarem uma árvore ao ano.

Sítio Vale das Palmeiras:

As caracter√≠sticas √ļnicas de altitude e geografia do S√≠tio Vale das Palmeiras possibilitam o cultivo do caf√© da variedade bourbon e a exist√™ncia de p√©s de caf√©s produtivos com mais de 50 anos de idade, quando a idade m√©dia da planta √© de aproximadamente 15 anos. O caf√© produzido nesse s√≠tio j√° foi premiado como o segundo melhor caf√© do Brasil e venceu o concurso qualidade do caf√© do Paran√° nos anos de 2006 e 2008.

Restaurante Michela Serv:

A beleza c√™nica do empreendimento √© t√£o agrad√°vel quanto o cuidado com a prepara√ß√£o dos pratos caseiros que levam um toque da culin√°ria mineira. Localizado em Ribeir√£o Claro, o local serve ainda cerca de 30 tipos de crepes salgados e 18 op√ß√Ķes de crepes com recheios doces, al√©m de contar com espa√ßo para exposi√ß√£o e compra de artesanato local.

Fazenda Flora:

Na cidade de Cambará é possível visitar a Fazenda Flora, que não mais cultiva café, mas mantém os resquícios do auge da cafeicultura: um terreirão para secagem dos grãos bem conservado e 24 tulhas secadoras. Em breve, estará em funcionamento o museu da propriedade, que vai funcionar na antiga escola rural. De acordo com especialistas que acompanham o Projeto Turismo Norte Paranaense, a raridade do conjunto de tulhas da Fazenda Flora distingue a propriedade no país.

Cafeteria O Armazém:

Cristina Rodrigues Maulaz, barista e proprietária da cafeteria O Armazém, conta que decidiu fazer parte da Rota do Café por considerar necessária a valorização do resgate histórico e cultural do produto que marcou a história do Estado e da região. A empreendedora comercializa cafés de todas as partes do mundo e destaca a alta qualidade do café produzido no norte paranaense.

A Cafeteria comercializa o caf√© Terrara, produzido pelo sistema biodin√Ęmico na Fazenda Terra Nova, situada em S√£o Jer√īnimo da Serra, e o caf√© da Fazenda Palmeira, localizada no munic√≠pio de Santa Mariana. O objetivo do empreendimento √© servir caf√©s com excel√™ncia. Cada x√≠cara da bebida varia de R$ 3,50 a R$ 10,00. Tamb√©m s√£o diversos acompanhamentos. A cafeteria O Armaz√©m fica na Rua Goi√°s, 1.520, loja 12, no centro de Londrina.

Cafeteria Empório Café da Casa:

O Emp√≥rio Caf√© da Casa √© uma cafeteria especializada em caf√©s especiais do norte pioneiro do Paran√° localizada no munic√≠pio de Jacarezinho. Os caf√©s servidos no local destacam os atributos √ļnicos da bebida cultivada na regi√£o. Para acompanhar o caf√©, servido quente ou frio, h√° uma variedade de salgados, bolos e biscoitos artesanais. No espa√ßo, √© poss√≠vel adquirir cosm√©ticos a base de caf√©. O Emp√≥rio Caf√© da Casa efetua sele√ß√£o, classifica√ß√£o e torra artesanal, al√©m de comercializar locar e prestar assist√™ncia t√©cnica para m√°quinas profissionais para preparar caf√©.

Parcerias:

A Rota do Café tem, além do Sebrae/PR, o apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Agência de Desenvolvimento Turístico do Norte do Paraná (Adetunorp), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Serviço Social do Comércio (Sesc/PR), Londrina Convention & Visitors Bureau, Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Prefeituras, Secretaria de Estado do Turismo, Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Sociedade Rural do Paraná.

Fotos:Wilson Vieira Videographic

Agradecimento : Sebrae/PR

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