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04/JAN/10 - Viaje por um outro Rio Grande do Sul

O nascer do sol presenciado por caminhantes das Miss√Ķes Foto: Claudio Reinke (Divulga√ß√£o MTur)

O nascer do sol presenciado por caminhantes das Miss√Ķes Foto: Claudio Reinke (Divulga√ß√£o MTur)

Por tr√°s de uma generosa picanha que descansa, salgada e suculenta, sobre um campeiro fogo de ch√£o, h√° um estere√≥tipo a desbancar. Assim como o chimarr√£o, o churrasco √© lema, bandeira, hino para os ga√ļchos. Talvez por isso essas refer√™ncias fiquem t√£o evidentes a ponto de tornarem dif√≠cil imaginar o Rio Grande do Sul sem esses dois √≠cones de sua cultura. Mas desta vez, esque√ßa a costela de boi assada na brasa, as hort√™nsias a 0¬ļC na regi√£o da serra, a seq√ľ√™ncia de degusta√ß√£o nas vin√≠colas e as gaitas sanfonando a beleza das prendas nos CTGs. Voc√™ vai conhecer um outro Rio Grande do Sul.

As temperaturas de ver√£o s√£o, digamos, nordestinas. Em um o√°sis de √°gua fresca e sombra farta, entretanto, o calor se transforma rapidamente em um convite para trilhas, mergulhos e experi√™ncias pr√≥ximas √† natureza. O Salto do Yucum√£, maior queda d‚Äô√°gua longitudinal do mundo, √© a preciosidade do Parque Estadual do Turvo, que pertence ao munic√≠pio de Derrubadas, na fronteira com a Argentina e o estado de Santa Catarina. O parque √© o √ļltimo reduto da on√ßa-pintada no estado, e tamb√©m serve de abrigo para outras esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o, como o puma, a anta e o pica-pau rei.

Preciosidades, ali√°s, brotam aos quatro ventos desta terra. H√° menos de uma hora dali, a cidade de Ametista do Sul possui uma das maiores jazidas da pedra ametista no mundo. Exportada para mais de quinze pa√≠ses pelo seu alto valor comercial, a pedra √© encontrada em galerias subterr√Ęneas abertas √† visita√ß√£o no Ametista Parque Museu. L√°, turistas podem conhecer os garimpos e o processo de extra√ß√£o da ametista dos pared√Ķes de rochas de uma mina desativada. Na pra√ßa central da cidade, uma pir√Ęmide de interior recoberto pelo cristal convida para um momento de medita√ß√£o.

‚ÄúTodo turista que busca esse destino entende que as pedras t√™m uma fun√ß√£o m√≠stica, energ√©tica‚ÄĚ, avalia a diretora da operadora Rota Cultural Turismo, Susana Abreu. Segundo ela, a busca pelo esoterismo e pela ‚Äúboa energia‚ÄĚ dos cristais deve impulsionar a comercializa√ß√£o de roteiros que integram Ametista do Sul e Derrubadas, duas cidades bem estruturadas e que v√™m ganhando express√£o tur√≠stica no estado. ‚ÄúA quest√£o da busca por um turismo de experi√™ncias, por locais diferentes e por roteiros ecol√≥gicos deve aumentar de 10% a 18% a venda deste tipo de pacote em 2010.‚ÄĚ, avalia Susana.

N√£o s√£o poucos, ali√°s, os roteiros alternativos √† badala√ß√£o, que sugerem retiro espiritual durante a virada de ano ou as festas de carnaval. Na por√ß√£o noroeste do estado, as coxilhas onduladas guardam uma hist√≥ria secular, onde a utopia de uma sociedade justa e solid√°ria pode ter se tornado verdade. √Č o que revela, em 325 km de percurso, o emblem√°tico Caminho das Miss√Ķes.

O itiner√°rio √© um mergulho na trajet√≥ria das Miss√Ķes Jesu√≠tico-Guarani: 30 redu√ß√Ķes, pequenas comunidades, foram fundadas durante o s√©culo 17 em territ√≥rios hoje pertencentes ao Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. O objetivo da Coroa Espanhola era conquistar o territ√≥rio nas fronteiras dos imp√©rios coloniais e difundir a f√© crist√£. Padres da Companhia de Jesus foram enviados e iniciaram a catequiza√ß√£o de 150 mil √≠ndios guaranis.

Com a fus√£o das culturas ind√≠gena e europ√©ia, o ideal guarani da ‚ÄúTerra Sem Males‚ÄĚ originou um novo modelo de civiliza√ß√£o, ‚Äúcom um sistema social e econ√īmico cooperativo e um alto grau de desenvolvimento tecnol√≥gico e cultural‚ÄĚ, conta a historiadora Gladis Pippi.

As redu√ß√Ķes prosperaram, mas com a expuls√£o dos jesu√≠tas e a eclos√£o da guerra guaran√≠tica, quase toda a popula√ß√£o ind√≠gena foi dizimada e essa experi√™ncia acabou em pouco mais de 150 anos. Al√©m da imortalidade desta cultura, restaram as ru√≠nas de Sete Povos das Miss√Ķes, por onde turistas e peregrinos hoje caminham em busca das lembran√ßas da chamada ‚Äúsaga missioneira‚ÄĚ.

Passar por sete cidades a p√© √©, relativamente, uma atividade de f√īlego. Mas o fato √© que o peso da mochila e do cajado n√£o afugentou caminhantes do Brasil e do mundo desta experi√™ncia. Se for primavera, tanto ser√° melhor. As paisagens revelar√£o todas as suas cores. Se for Lua Cheia, mais perfeito ainda. Muitos espet√°culos do roteiro n√£o podem mesmo ser apreciados no cotidiano. Muitos descobriram neste Caminho das Miss√Ķes um jeito de meditar, uma janela para o autoconhecimento, ou, simplesmente, uma oportunidade para respirar o ar puro do interior brasileiro ou uma chance de ver a vida com outros olhos.

A mineira Daniela Karam tanto gostou que j√° fez o Caminho por duas vezes. A √ļltima foi durante o Carnaval deste ano, acompanhada pela irm√£. ‚ÄúPara mim viajar √© um prazer e caminhar √© quase uma medita√ß√£o. Tem algo de espiritual nisso tamb√©m, √© com certeza um momento introspec√ß√£o‚ÄĚ, revela a designer. No caminho, os hospitaleiros hospedam e cozinham para os caminhantes, o que, segundo Daniela, √© uma viv√™ncia que diferencia essa modalidade de turismo. ‚ÄúN√£o tenho um desejo pl√°stico de turismo. E este √© um turismo diferente porque as instala√ß√Ķes s√£o muito simples e faz parte da proposta abrir m√£o de um bom hotel para focar na descoberta de outras maneiras de viver bem com simplicidade. Voc√™ n√£o tem luxo, mas tudo l√° √© muito aconchegante‚ÄĚ, define.

Num dos maiores corredores hist√≥rico-culturais da humanidade, a velha e boa gastronomia regional encanta os visitantes. Mas n√£o s√≥: a arte e o artesanato do ind√≠gena missioneiro sa√ļdam o primeiro her√≥i ind√≠gena brasileiro, Sep√© Tiaraju, e recentes descobertas arqueol√≥gicas podem ser visitadas durante o percurso. S√≠tios arqueol√≥gicos como o de S√£o Miguel das Miss√Ķes, Patrim√īnio Hist√≥rico e Cultural da Humanidade tombado pela UNESCO, continuam bem preservados. A igreja de S√£o Miguel, por exemplo, d√° id√©ia do avan√ßo das t√©cnicas da √©poca: foi toda esculpida em pedra gr√™s por m√£o-de-obra ind√≠gena, sendo que as pedras teriam sido retiradas de afloramentos rochosos dos arredores.

O Caminho das Miss√Ķes pode ser feito a p√© ou de bicicleta, individualmente ou coletivamente, em 13, 7 ou 3 dias. Uma parte do percurso √© vencida de barco, sob as √°guas do rio Uruguai. Antes da partida, na cidade de S√£o Borja, os peregrinos participam de uma prepara√ß√£o t√©cnica e m√≠stica, e recebem um amuleto. A chegada dos caminhantes se d√° em Santo √āngelo, em frente a um exemplar rec√©m-restaurado do conjunto arquitet√īnico missioneiro: a Catedral Angelopolitana.

UM PORTO MUITO ALEGRE

Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, √© um dos 65 destinos indutores do desenvolvimento tur√≠stico regional, munic√≠pios brasileiros que s√£o o foco da pol√≠tica de regionaliza√ß√£o do Minist√©rio do Turismo. Esta metr√≥pole, de tra√ßos joviais e reconhecida for√ßa econ√īmica, tem no lago Gua√≠ba o seu vizinho mais bonito. No cora√ß√£o verde da cidade, o Parque Farroupilha, apresenta dominicalmente o Brique da Reden√ß√£o, uma tradicional vitrine da alma portoalegrense. Artistas pl√°sticos, atores, capoeiristas, roqueiros, cantores l√≠ricos, artes√£os e vendedores promovem o ‚Äúencontro casual‚ÄĚ das artes, antig√ľidades, cachorros a passeio, crian√ßas de patinete, bandeirantes pol√≠ticos, e, vejam s√≥, turistas.

A capital mais meridional do Brasil oferece efeitos de cores no c√©u durante o p√īr-do-sol. A aquarela fica especialmente bela em um passeio de barco pelo Gua√≠ba, onde se revelam as paisagens das ilhas do Parque Estadual do Delta do Jacu√≠.

Porto Alegre tamb√©m tem eventos de grande porte para todas as idades. A maior Feira do Livro a c√©u aberto da Am√©rica Latina tem espa√ßo na Pra√ßa da Alf√Ęndega e no Armaz√©m do Cais do Porto. No Porto Alegre Em Cena, os mais importantes grupos de teatro, dan√ßa e m√ļsica do Brasil e do mundo se encontram para apresentar mais de 50 espet√°culos a pre√ßos populares, em apenas duas semanas. J√° a Bienal de Mercosul, refer√™ncia internacional nas artes visuais, promove o acesso democr√°tico √† arte para mais de meio milh√£o de pessoas, a cada edi√ß√£o.

À noite, a Cidade Baixa, bairro antigo de arquitetura açoriana, é o ponto mais boêmio da cidade, com ambientes undergrounds. O Bom Fim, tradicional bairro judeu, é o preferido da juventude. O circuito glamoroso fica por conta do bairro Moinhos de Vento e na praia de Ipanema, na orla do Guaíba, a descontração predomina.

Se a serra ga√ļcha e o parque dos Aparados da Serra eram as √ļnicas unanimidades do turismo ga√ļcho para quem pretende viajar neste ver√£o, ent√£o agora o card√°pio est√° um pouco mais completo.

81 MOTIVOS PARA VIAJAR PELO BRASIL

Essas e outras atra√ß√Ķes do Rio Grande do Sul integram os 81 roteiros estruturados por meio do Programa de Regionaliza√ß√£o do Turismo ‚Äď Roteiros do Brasil, do Minist√©rio do Turismo. Esses roteiros contemplam 345 munic√≠pios de 113 regi√Ķes tur√≠sticas do pa√≠s.

Lançado em 2004, o programa trabalha o desenvolvimento do turismo regional em todo o país e a gestão descentralizada dos destinos. O objetivo é estruturar, diversificar e qualificar a oferta turística brasileira para inserir, de forma competitiva, o produto Brasil no mercado internacional.

Fonte: MTur



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